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Case de Cliente · Controle de Produção

Mil Folhas por Dia Não Eram Burocracia. Eram a Interface.

Cada folha impressa carregava o código de barras que a máquina lia para saber o que fazer. Tirar o papel sem quebrar a linha exigia que a etiqueta nova falasse as duas línguas — e é isso que este projeto resolveu.

35+ leitores RFID Rio de Janeiro Óptica médica
O cliente

Zeiss

Fabricante alemã de óptica e optoeletrônica, presente em tecnologia médica, microscopia, litografia, metrologia industrial e semicondutores. A fábrica do Rio de Janeiro, aberta em 2000, é um polo da divisão de tecnologia médica — produz equipamento de diagnóstico e cirurgia oftálmica e atende o mercado latino-americano, além de exportar.

A produção é sob encomenda: cada par de lentes é feito para um pedido específico, com características próprias. Isso significa que o setup da linha muda o tempo todo — e que a ordem certa precisa encontrar a matéria-prima certa, todas as vezes.

O desafio

O Processo Padrão Funcionava. E Era de Papel.

O fluxo era o mesmo em todas as plantas do grupo no mundo: o operador imprimia a lista de ordens do dia, separava as folhas uma a uma e encaixava cada uma na caixa plástica que levava as lentes até as máquinas. A máquina lia o código de barras da folha e se configurava conforme a ordem. Funcionava — e era exatamente isso que tornava a mudança difícil.

O papel era o portador do dado
Não era registro paralelo: era como a máquina sabia o que produzir. Remover o papel sem substituir essa função pararia a linha.
Nenhuma visibilidade de onde a ordem está
Depois que a caixa entrava na linha, localizar uma ordem específica dependia de procurar máquina por máquina.
Escolher a ordem certa exigia experiência
Agrupar ordens de características parecidas, para reduzir setup, dependia de quem conhecia o catálogo — e não de um critério consultável.
Separar o bloco de lente era manual
O operador lia a ficha de especificação na caixa e procurava o bloco correspondente na prateleira de matéria-prima, para o olho direito e o esquerdo.
A solução

Um Cartão Que Fala as Duas Línguas

A decisão que destrava tudo: o cartão que substitui a folha tem RFID e código de barras juntos. A máquina continua lendo o código como sempre leu — porque é padrão global do grupo e não seria mudado — e o RFID acrescenta o que o papel nunca teve.

Cartão Reutilizável, Não Descartável
Dimensionado para encaixar no mesmo compartimento da caixa plástica onde a folha era dobrada. Volta ao início do ciclo quando a ordem termina.
Totem de Seleção de Ordens
Um aplicativo mostra ao planejador todas as ordens prontas para produzir e permite filtrar por tipo, tamanho e complexidade — agrupando ordens semelhantes para reduzir troca de setup.
Caixa de Vínculo por RFID
O operador coloca os cartões das ordens selecionadas dentro de uma caixa leitora, e o sistema vincula cada identificador de etiqueta ao número da ordem no ERP, de uma vez.
Coletor na Separação do Bloco
O operador lê o cartão da ordem e depois os blocos de lente do olho direito e do esquerdo. O sistema confere se batem com a especificação — a verificação deixa de depender de leitura de ficha.
Leitores nos Pontos de Controle
Mais de 35 leitores fixos instalados ao longo da linha, registrando o número da ordem e o horário a cada passagem.
Middleware Entre Chão e Nuvem
Um sistema intermediário coordena os leitores fixos, coleta ordem e horário e envia à plataforma, que calcula os indicadores de produção.

Sobre o equipamento: a instalação usa leitores fixos Acura e coletores Zebra. A plataforma trabalha com hardware de múltiplos fabricantes; as marcas citadas são o equipamento escolhido para este projeto, não uma exclusividade. A implantação foi conduzida em conjunto com um parceiro especializado em hardware RFID.

A parte que quase ninguém resolve

Parte das máquinas da linha roda Windows XP ou Windows 7 — sistemas sem suporte do fabricante, que não seriam atualizados nem substituídos por causa de um projeto de rastreamento.

A solução não foi exigir modernização: foi capturar a leitura pela porta serial da própria máquina e enviá-la à plataforma. O equipamento legado passou a alimentar a rastreabilidade sem ser tocado — e essa é a objeção número um de qualquer fábrica com parque antigo.

O que já mudou

Resultados Alcançados

min → seg
separação do bloco de lente, por ordem
35+
leitores RFID em pontos de controle
10
meses da definição à implantação
2 em 1
RFID e código de barras no mesmo cartão
Separação de bloco de minutos para segundos — a conferência contra a especificação passou a ser automática, em vez de leitura de ficha na prateleira.
Menos erro na seleção de ordem — a verificação em tempo real confirma que o material corresponde ao pedido antes de a ordem entrar na linha.
Menor dependência de pessoal especializado — com a conferência no sistema, a separação deixou de exigir quem conhece o catálogo de cor — o que amplia quem pode fazer a tarefa.
A ordem certa entra na hora certa — o totem de seleção agrupa ordens compatíveis, evitando atraso de entrega por sequenciamento ruim.
O que ainda não foi medido

Os Dois Processos Ainda Rodam Juntos

A eliminação do papel é expectativa, não resultado. A operação mantém o método antigo em paralelo enquanto a equipe se adapta, e por isso ainda imprime. A projeção é deixar de imprimir cerca de mil folhas por dia quando a transição terminar — mas o número ainda não foi realizado, e seria desonesto apresentá-lo como se fosse.

A base de tempos de produção está em configuração. Os leitores registram as passagens, mas o histórico ainda não é longo o bastante para sustentar decisão de sequenciamento. É o próximo estágio, não um ganho atual.

E a transição gradual foi escolha, não atraso. Rodar o processo antigo por meses ao lado do novo é o que evita resistência e parada de linha — e é a decisão que mais protege um projeto de chão de fábrica.

Conclusão

Não Se Troca o Papel. Substitui-se a Função Dele.

É a lição transferível deste projeto. Quase todo papel que sobrevive numa fábrica moderna sobrevive porque faz alguma coisa — carrega um dado, autoriza uma etapa, aciona uma máquina. Projetos que tratam papel como desperdício a eliminar tropeçam nessa função escondida.

Aqui o caminho foi o inverso: manter o código de barras, que era a função, e acrescentar o RFID, que era o que faltava. A máquina não percebeu diferença; o supervisor ganhou uma informação que nunca teve.

Sobre o mecanismo de avanço por leitura, o guia do RFID na manufatura. E sobre por que o registro manual falha, o apontamento que ninguém quer fazer.

Qual papel da sua linha faz alguma coisa?

Não o que é arquivado — o que aciona, autoriza ou configura. Esse é o papel que não sai por decreto de sustentabilidade, e é justamente onde um projeto de rastreamento tem mais a entregar.

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